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| Salas de regulação sensorial: como projetar espaços de acolhimento para pessoas com autismo

POSTADO ÀS 09:06 H - 30 jun 2026 - DNA Maqmóveis

Nova regulamentação em São Paulo torna obrigatórias salas de regulação sensorial em shoppings e amplia a discussão sobre ambientes mais inclusivos e acolhedores

No início de junho deste ano, o Governo do Estado de São Paulo regulamentou a lei que torna obrigatória a implantação de salas de regulação sensorial em shopping centers, marcando mais um avanço nas políticas de inclusão voltadas às pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e outras neurodivergências. O decreto estabelece que esses espaços devem ser projetados para reduzir estímulos externos e auxiliar na autorregulação sensorial e emocional dos usuários. Além disso, determina que as salas estejam localizadas em áreas de fácil acesso, preferencialmente próximas às entradas e saídas dos centros comerciais, com sinalização visível e livres de barreiras que dificultem sua utilização.

Embora a nova exigência se aplique aos shoppings centers, o debate sobre ambientes sensoriais vai além desses espaços. Escolas, clínicas, empresas, aeroportos e outros espaços coletivos vêm incorporando soluções arquitetônicas e de mobiliário voltadas ao conforto sensorial, alinhando inclusão, acessibilidade e bem-estar em seus projetos. Para compor esses espaços, o design, a arquitetura e o mobiliário têm papel fundamental, já que são os elementos que garantem a sensação de segurança, previsibilidade e acolhimento, pois as salas de regulação sensorial são projetadas para reduzir estímulos excessivos e oferecer condições adequadas para que pessoas com TEA ou neurodivergentes possam recuperar o equilíbrio emocional diante de situações de sobrecarga sensorial. Diferentemente de salas de espera convencionais, esses espaços são planejados para transmitir tranquilidade e organização, evitando elementos que possam gerar desconforto ou distrações excessivas.

Para compor uma sala de regulação sensorial é preciso prestar atenção a diversos fatores que influenciam diretamente na experiência dos usuários. “A escolha do mobiliário, por exemplo, deve levar em conta critérios como conforto físico, segurança e suporte à autorregulação sensorial”, diz a arquiteta Bruna Vieira de Assis, especialista em arquitetura inclusiva e idealizadora do escritório de arquitetura Inclua Arquitetura Escolar, infantil, clínica e inclusiva. 

Segundo Bruna, os critérios para seleção dos móveis devem incluir: design simples e funcional, sem excesso de detalhes visuais; cores suaves e harmoniosas, que favorecem a tranquilidade e a concentração; materiais agradáveis ao toque, com texturas confortáveis e suaves; ergonomia adequada, para promover bem-estar e permanência com conforto; flexibilidade de uso, permitindo diferentes formas de ocupação conforme as necessidades individuais; e elementos de refúgio e acolhimento, como nichos, poltronas envolventes, bancos com encosto e espaços de recolhimento.

Projeto de sala de regulação sensorial do escritório Inclua Arquitetura com móveis Maqmóveis.
Projeto de sala de regulação sensorial do escritório Inclua Arquitetura com móveis Maqmóveis.

Ainda, a arquiteta cita o conforto e a previsibilidade visual como aspectos importantes a serem considerados nos espaços de regulação sensorial, já que ambientes excessivamente carregados de informações visuais podem gerar ansiedade e dificuldade de concentração. “A previsibilidade é um aspecto essencial para muitas pessoas autistas: a organização visual dos espaços reduz a necessidade constante de interpretação e adaptação, favorecendo a sensação de segurança”, diz. 

Algumas estratégias incluem: a padronização de cores e materiais; hierarquia visual clara; mobiliário disposto de forma lógica e consistente; e uma sinalização simples e compreensível. O objetivo é proporcionar uma experiência mais controlada, permitindo que o usuário encontre um ambiente previsível, silencioso e confortável para se reorganizar antes de retornar às atividades do cotidiano.

De forma geral, a arquitetura de interiores inclusiva voltada para o público do espectro autista deve controlar a quantidade e a intensidade dos estímulos visuais, sonoros, táteis e luminosos presentes em um espaço. Assim, além dos critérios já citados, esses projetos devem priorizar: 

  • Organização espacial clara e intuitiva, facilitando a compreensão do ambiente e promovendo autonomia. 
  • Setorização bem definida, permitindo identificar facilmente a função de cada espaço. 
  • Circulações simples e previsíveis, reduzindo confusão e insegurança. 
  • Redução de excessos visuais, evitando poluição visual causada por muitas cores, formas ou informações simultâneas. 
  • Controle acústico, minimizando ruídos externos e reverberações que podem causar desconforto sensorial. 
  • Iluminação equilibrada e indireta, evitando ofuscamentos, sombras excessivas ou luzes piscantes. 

Portanto, é necessária a união harmônica da arquitetura, do design e do mobiliário para compor salas de regulação sensorial, e é esse arranjo que garante uma boa experiência do usuário nesses ambientes. Como já citado pela arquiteta, a escolha dos móveis deve priorizar o conforto, a segurança, a ergonomia e o design simples.

Projeto de sala de regulação sensorial do escritório Inclua Arquitetura com móveis Maqmóveis.
Projeto de sala de regulação sensorial do escritório Inclua Arquitetura com móveis Maqmóveis.

No portfólio da Maqmóveis é possível encontrar móveis com essas características, e Bruna escolheu, junto com sua equipe, alguns para montar uma sala adequada para os usuários autistas e neurodivergentes. No ambiente proposto pelas profissionais do Inclua, que também conta com a arquiteta Caroline Pereira e a estagiária Lorena Mendonça, o objetivo é que o espaço transmita as sensações de acolhimento, silêncio, previsibilidade e tranquilidade. Confira aqui os móveis selecionados pelo time do escritório Inclua:

Sofá Jataí: este móvel traz consigo a ideia do casulo e da proteção, é um assento que ajuda na autorregulação da pessoa com TEA, que pode sentar-se nele com outra pessoa de apoio e até mesmo com seu cão de suporte emocional. As infinitas possibilidades de materiais para acabamento auxiliam na questão sensorial. 

Poltrona Pólen, da linha Jataí: flexível, este item tem um design lúdico que remete a sentar-se no chão, porém com o conforto de um móvel praticamente anatômico. Fácil de compor em ambientes voltados para o relaxamento.  

Escrivaninha suspensa Própolis: o design simples, porém extremamente funcional, remete à uma cabine: individual, restrita e acolhedora. Mas para que se integre bem ao ambiente, reforçando sua característica acolhedora, a escolha de cadeiras e banquetas confortáveis e ergonômicas são fundamentais.  

Gaveteiros volantes de diversas linhas: flexíveis, se adaptam a inúmeras propostas de layout criando composições variadas e, por sua característica volante, auxiliam na setorização de espaços integrados. 

Banco Flip: o design remete aos antigos bancos de praça, mas combinado a linhas mais contemporâneas em suas réguas de madeira e na base metálica.  O desenho simples e limpo, sem complicação, privilegia a funcionalidade do móvel, pronto para acolher e convidar ao sentar e permanecer. Recomendado em áreas externas ou ambientes de transição.

Projeto de sala de regulação sensorial do escritório Inclua Arquitetura com móveis Maqmóveis.
Projeto de sala de regulação sensorial do escritório Inclua Arquitetura com móveis Maqmóveis.

A criação de salas de regulação sensorial acompanha uma transformação mais ampla na forma como instituições públicas e privadas compreendem a acessibilidade. Com a recente regulamentação em shopping centers, a tendência é que essas salas ganhem cada vez mais espaço nos projetos de escolas, clínicas e até em ambientes corporativos. Afinal, mais do que atender exigências legais, investir em ambientes sensoriais representa um compromisso com a inclusão e a diversidade.


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