A inclusão de pessoas com deficiência nos ambientes de trabalho vai muito além de políticas e treinamentos: ela se revela no cotidiano, nas relações e na forma como cada setor se organiza para garantir que todos tenham participação. Na Maqmóveis, esse compromisso já se consolidou em diversas frentes – da contratação de pessoas com deficiência auditiva às capacitações periódicas em Libras, passando por um site acessível e ações de letramento da equipe. Mas o verdadeiro desafio está em transformar esses princípios em práticas reais no dia a dia de trabalho. O gestor Wagner Souza, do Almoxarifado da Maqmóveis, passou por essa experiência e se destacou ao conduzir sua equipe com estratégias que tornaram as atividades do departamento mais inclusivas e acessíveis.
A chegada de Aline, colaboradora deficiente auditiva que se comunica exclusivamente em Libras, trouxe novos desafios e aprendizados para a equipe, que precisou implementar mudanças na comunicação para que o ambiente de trabalho fosse acessível. Com o tempo, entretanto, gestor e colaboradores perceberam que a acessibilidade não é apenas sobre novos procedimentos no cotidiano, mas também envolve companheirismo, respeito, participação plena e colaboração. Inicialmente apreensivo diante da dificuldade de comunicação, Wagner Souza descobriu na experiência uma oportunidade de crescimento pessoal e profissional para todos os colaboradores do departamento. Com paciência, trocas cotidianas e dinâmicas criativas, a equipe incorporou Libras ao dia a dia, transformando reuniões, atividades e até brincadeiras em momentos de integração e aprendizado da língua de sinais. O resultado foi um ambiente mais colaborativo, natural e acolhedor, onde todos são tratados com igualdade. Conheça mais dessa história na entrevista concedida por Wagner a este blog:
P: Como foi a experiência de assumir a equipe com uma pessoa surda?
R: Apesar de ter uma pessoa surda na família, meu pai, a situação sempre foi diferente. Ele possui uma surdez parcial e, mesmo ouvindo pouco, nossa comunicação em casa nunca envolveu Libras. Nós acabamos falando um pouco mais alto, ele faz leitura labial, e assim tudo flui de maneira natural. Por isso, eu cresci já habituado a algumas situações, mas sem necessariamente ter contato com a língua de sinais. Quando cheguei na Maqmóveis, foi uma experiência completamente nova. Eu realmente não imaginava que teria na equipe uma pessoa com deficiência auditiva que se comunicasse exclusivamente em Libras, e foi assim que conheci a Aline. No início, fiquei apreensivo, com receio de não conseguir estabelecer uma comunicação eficiente. Usei bastante a escrita, já que meu conhecimento em sinais era bem básico. Ao observar outras pessoas conversando com ela com tanta naturalidade, comecei a me interessar mais, perguntando como dizer determinadas palavras em Libras e tentando praticar no dia a dia. A Aline é uma colaboradora extremamente competente e desempenha uma das funções mais importantes do almoxarifado. Com o tempo, percebi que nossa comunicação passou a fluir com muita facilidade, e grande parte disso devo à paciência dela e aos aprendizados diários que ela me proporcionou. Foi, sem dúvida, uma experiência enriquecedora, tanto profissional quanto pessoal.
Q: Como foi pensar em atividades acessíveis para o departamento?
R: Na prática, as atividades do departamento fluem de forma bastante natural. Sempre fizemos questão de incluir a Aline em todos os assuntos e atividades, mesmo naqueles em que ela não está diretamente envolvida. Para nós, o mais importante é que ela se sinta parte da equipe em igualdade com todos. Com o tempo, o tratamento se torna realmente o mesmo destinado aos demais colaboradores, porque a acessibilidade deixa de ser algo “especial” e passa a fazer parte da rotina. Em todos os comunicados ou orientações para a equipe, ela sempre participa junto. A única diferença é que nos comunicamos de forma um pouco mais pausada e olhando diretamente para ela, para facilitar a compreensão. De modo geral, pensar em acessibilidade acabou sendo muito mais sobre incluir e comunicar com clareza do que sobre modificar processos. O foco sempre foi garantir acolhimento, respeito e participação plena no dia a dia do almoxarifado.
P: Quais foram as práticas efetivas para a inclusão implementadas?
No almoxarifado, uma das práticas mais efetivas que adotamos foi incluir a acessibilidade diretamente na nossa rotina diária. Temos uma reunião todas as manhãs, no início do expediente, onde tratamos dos assuntos operacionais do dia. Logo após essa etapa, reservamos alguns minutos especificamente para a participação da Aline, que, além de colaboradora, também é professora de Libras. Esse momento se tornou extremamente valioso para toda a equipe.
P: Quais são os exemplos de experiências bem-sucedidas?
R: Implementamos diversas atividades que tiveram resultados muito positivos. Entre elas, realizamos pequenas dinâmicas em grupo, como o “TV sem fio”, uma adaptação do “telefone sem fio” para Libras, além de exercícios de formação de frases e prática do alfabeto, onde cada pessoa sinaliza uma letra e a seguinte continua a sequência. Além disso, diariamente a Aline nos ensina novas palavras em Libras, sempre relacionadas às rotinas do almoxarifado, como “impressão de listas”, “separar”, “armazenar”, “baixar”, entre outras. São termos que realmente fazem parte do nosso dia a dia, e o objetivo é que todos tentem aplicar esses sinais na comunicação ao longo do expediente. Essas práticas aproximaram a equipe, fortaleceram a inclusão e tornaram a comunicação mais natural. Ao aprender o vocabulário da rotina em Libras, todos passaram a se sentir mais preparados e à vontade para interagir com a Aline, contribuindo para um ambiente de trabalho mais integrado, respeitoso e acessível.
